terça-feira, 24 de março de 2009

O contributo português para a investigação e exploração espacial mundial

A Astronomia é uma das ciências mais antigas da Humanidade. A sua história, espalhada por milénios, pode contar o quão importante tem sido no desenvolvimento e avanço das civilizações. Assim o conhecimento da história da Astronomia ajuda-nos também a entender a evolução do pensamento científico do Homem.A história da Astronomia portuguesa pode se dividir em três épocas: época dos descobrimentos (séc. XV e XVI); época dos observatórios (séc. XVIII e XIX); época da astrofísica (séc. XX). A Astronomia nos descobrimentos foi alvo de intenso estudo durante o séc. XX por vários investigadores, ao contrário, dificilmente se encontram trabalhos de síntese sobre a Astronomia portuguesa do séc. XVIII em diante. No entanto, esta escassez não poderá ser justificada pela ausência de aspectos historicamente e cientificamente relevantes. A criação dos Observatórios de Coimbra e Lisboa, pilares do desenvolvimento astronómico nacional, o aparecimento da Astrofísica em Portugal em finais do séc. XIX e a participação portuguesa nas primeiras assembleias do IAU (International Astronomical Union), são exemplos que merecerão estudo. Assim esta aparente contradição serviu de motivação para que, desde há pouco mais de um ano, houvesse um novo interesse pela História da Astronomia em Portugal, em particular no período pós-descobrimentos.


Observatório de Coimbra: As vantagens, que resultam de se cultivar eficazmente a Astronomia, com todas as mais partes da Matemática, de que ela depende, são de tão grande ponderação, e de consequências tão importantes ao adiantamento geral dos conhecimentos humanos; e à perfeição particular da Geografia, e da Navegação; que tem merecido em toda a parte a atenção dos Soberanos, fazendo edificar Observatórios magníficos, destinados ao progresso da Astronomia, como Ciência necessária para se conseguir o conhecimento do Globo terrestre; e se terem nas mãos as chaves do Universo.”ESTATUTOS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 1772
A ideia de construir um Observatório para a nova Faculdade de Matemática surge dos Estatutos da reforma pombalina. Estes encaravam a Ciência como a disciplina redentora para uma modernização e mudança de mentalidades do país. E o Observatório Astronómico constituía uma síntese desta vontade.Pretendia-se um estabelecimento para o ensino e para a investigação, onde os estudantes tivessem aulas de Astronomia prática e os professores se dedicassem a “todas as Observações, que são necessárias para se fixarem as Longitudes Geográficas; e rectificarem os Elementos fundamentais da mesma Astronomia.”


Observatório de Lisboa:
O Observatório Astronómico de Lisboa foi edificado entre 1861-67, desenvolvendo excelentes competências em trabalhos de Astronomia no séc. XIX e parte do séc. XX. Foi integrado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em Março de 1995, mantendo a sua estrutura humana própria, onde usufrui de um ambiente científico moderno desenvolvido no meio académico.



Contribuição portuguesa para a exploração espacial:
O PoSAT-1 foi o primeiro satélite português a entrar em órbita, a 26 de Setembro de 1993. O Satélite foi lançado no Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, através do foguetão Ariane 4.
De momento o satélite não funciona mas mantêm-se em orbita, aproximadamente a 800 quilómetros acima da superfície terrestre. Acabando por exceder as expectativas mantendo-se operacional até Junho de 2006.
http://www.rr.pt/multimedia.aspx?FileId=442500&TypeId=3&search=POSAT#pesquisa

O VORSat (Omni-directional Radio Range Satellite), o segundo satélite português, recém-criado, desenvolvido na Faculdade de Engenharia do Porto.
O objectivo deste projecto é provar a viabilidade de medir atitude do satélite a partir de solo com base em um conjunto de sinais RF transmitidos a partir de órbita.
http://www.rr.pt/multimedia.aspx?FileId=442556&cat=257&TypeId=3

Por Pedro Miguel Estima e Costa

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