sexta-feira, 22 de maio de 2009

Entrevista - Professor Doutor Rui Agostinho

Entrevista - Professor Doutor Rui Agostinho
4 de Março de 2009
Grupo: Gostaríamos de saber a sua opinião acerca do impacto que esta campanha da celebração de 2009 como o Ano Internacional da Astronomia, embora ainda esteja no início, terá na sociedade.

RA: A minha opinião é que todos estes anos comemorativos da ciência são sempre importantes, porque ao comemorar este ano a astronomia, como em 2005 foi da física, é uma maneira da humanidade se lembrar do seu avanço no conhecimento, que é parte da cultura das pessoas. É parte da nossa maneira de ser, é a nossa curiosidade, é a descoberta do mundo, é a descoberta do universo, é a maneira de estar na vida, portanto, tem estas facetas todas. Depois há os anos do teatro, entre outros, o da Astronomia está inscrito também, como eu gosto de pensar, num panorama mais vasto, a astronomia é mais uma destas activdades. A astronomia, neste momento, tem especificidades que as outras ciências não têm, por exemplo, porque todas as pessoas gostam de olhar o céu à noite, e perguntar-se: “Será que há vida lá fora?”, e esse tem sido um fascínio que persegue a humanidade desde sempre, (temos os registos da antiguidade, dos gregos, etc., que chega aos dias de hoje). É esse fascínio que leva as pessoas que leva as pessoas a querer saber mais, e este ano comemoramos um marco dessa descoberta. Portanto, o Galileu aqui representa a utilização do telescópio para fazer observações, mas também na altura houve outros homens que o fizeram, ele ficou registado porque historicamente acabou por ser uma pessoa de grande impacto não só na Astronomia mas também na Física, no método de estudar a ciência, isto é, estudar a Natureza. Sistematizar o estudo através da observação. Convém dizer que não é a primeira pessoa que o faz, podem pensar que o nosso D. João de Castro, nas viagens à Índia, faz uma descrição do método cientifico de observação da natureza, de registo, de pôr hipóteses e rebater hipóteses. Contudo D. João de Castro não continua uma vida de estudo a fazer isso, ao passo galileu publica uma série de livros e vai fazendo e é um marco que é celebrado. Portanto, ao fazer este ano da astronomia, agora partindo para os dias de hoje, este ano da astronomia é uma maneira de pegar num acontecimento que foi importante, que é uma transição da astronomia do olho nu para a astronomia de observação ao telescópio. É uma mudança radical, porque o telescópio permite ver coisas que o olho não vê. Abriram-se novos horizontes. E este é um pretexto para dizer ok, foi um marco na história do conhecimento a utilização do telescópio. Claro que podemos dizer que, no século passado, tivemos uma série de marcos que foram batidos porque apareceram novas maneiras de ver o universo: a radioastronomia, o infravermelho, o raio X, os raios , criámos observatórios para ver isso tudo, só que tornou-se banal. Por exemplo, recentemente na última década, e agora começamos a ter frutos desses, apareceu a capacidade tecnológica, (demorou décadas a montar e agora está a dar frutos), de fazer interferometria do óptico, que permite ver em grande resolução, ter imagens 100 vezes melhor do que aquilo que o Hubble faz, em qualidade, mas não fazemos o ano internacional da astronomia por causa disso. Agora, que impactos é que isto pode ter no mundo e em Portugal. Em Portugal estamos a ter uma série de acções, as escolas estão muito envolvidas, vocês estão envolvidos nisso, há muitas escolas envolvidas. Do lado dos investigadores e das pessoas que fazem divulgação, muita gente é envolvida, e é de tirar partido disso para ter algum impacto. A nível mundial também está a ser feito, e sabem que envolve a própria União Astronómica Internacional, para além das sociedades científicas, que estão activamente envolvidas nele.

Grupo: E agora a minha próxima e última pergunta, tem a ver com a importância da Astronomia, que passa pelo seu contexto histórico, a importância que tem nos dias de hoje e que pode vir a ter no futuro, uma vez que se trata de uma ciência que abre várias oportunidades até a outras ciências.

RA: Sim, mesmo nesta palestra que eu fiz, era muito notório as ligações transversais que isto tem com as outras ciências que as pessoas estudam. A questão da vida, não são só as questões astronómicas, tem a biologia toda lá dentro, tem q química toda lá dentro, tem o resto das ciências. Está tudo ligado. A própria física portanto, a física de hoje, o CERN, e o novo LHC, é extremamente limitado para conhecer as leis da micro micro micro estrutura que a natureza tem, isso está a ser feito estudando o Big-bang, vendo que registos é que ficaram no mar de fotões que está aí, e de partículas o que é que ficou que seja traço daquilo que aconteceu, e que mostram mesmo a estrutura quântica que o espaço e o tempo têm, e aí é uma observação com instrumentos do cosmos, é uma física das astro-partículas, portanto a astronomia tem também essa ligação. Ramifica-se com tudo, de modo que a astronomia vai estar ligada. Quando é que ela morre? Vai morrer quando qualquer outra ciência também morrerá, que é quando a humanidade perder o interesse. Quando acabar o interesse, acabou-se.




quinta-feira, 21 de maio de 2009

Entrevista - Professor João Fernandes

Entrevista com Professor João Fernandes, presidente do Comité Nacional para o AIA2009
4 de Março de 2009

Grupo: Gostaríamos de saber a sua opinião sobre a forma como as celebrações do Ano Internacional da Astronomia está a ser difundida, se a mensagem está a ser passada como se esperava, e que impacto está a ter e poderá vir a ter na sociedade.

JF: É um bocadinho cedo ainda para responder a essa questão. Passaram só 3 meses. Dar-vos-ei uma resposta melhor no final. Há já uma série de indicadores interessantes, há uma série de actividades que nós lançámos que estão a ter um impacto muito bom. O Ano Internacional da Astronomia propõe ás escolas que nos peçam (à comissão nacional) palestras, e depois nós encaminhamos os astrónomos e as equipas de observação. Nós projectámos fazer 50 palestras em todo o país, e, neste momento, já temos 100 pedidos, e outros tantos para sessões de observação. Portanto, esta é uma actividade que está a ter muito sucesso. Outra é, curiosamente, a formação de professores. Temos uns workshops para ajudarem os professores a ensinar melhor a astronomia nas escolas. Como sabem, não existe uma disciplina de astronomia, mas existem partes a serem ensinadas em várias disciplinas. Nós tínhamos os workshops marcados para Julho com lugar para 210 professores, e temos já quase 400 inscritos. Há outras actividades que vão decorrendo, mas estas são duas que ultrapassaram completamente aquilo que tínhamos pensado.

Grupo: Agora, e mais relacionada com a componente teórica do nosso trabalho, gostaríamos de saber a sua opinião acerca da importância que a astronomia tem nos dias de hoje, e que poderá vir a ter no futuro.

JF: Isso é muito interessante. Há vários tipos de importâncias. Uma delas, e vou pegar na que é mais fácil de explicar, é a questão tecnológica. O estudo da Astronomia, na Terra e no espaço, leva a desenvolvimento de tecnologia nos telescópios e sondas espaciais, tecnologia de ponta que depois pode ser usada noutros campos. A Agência Espacial Europeia, a responsável pelo lançamento de sondas espaciais na Europa, tem uma série de empresas, algumas delas portuguesas, a trabalhar para construir as sondas e fazer programas informáticos para as mesmas, e portanto, é um motor de desenvolvimento de tecnologia. Depois há outro aspecto, que é a contribuição da astronomia para a evolução do pensamento humano, por exemplo, quando pensamos na contribuição que homens como Galileu, Copérnico, Kepler e Newton com o intuito de resolver problemas ligados à astronomia.


40 Anos da Chegada à Lua - 6/05/2009

Orador: José Matos
Biblioteca da Escola Secundária Homem Cristo





Horizontes da Física 3 - Palestra 4 - 25/03/09

Orador: Prof. Doutor Nuno Peres
Auditório Centro de Congressos de Aveiro

Palestra : Carbono a duas dimensões: a Física do Grafeno



Horizontes da Física 3 - Palestra 2 - 11/03/2009

Orador: Prof. Doutor Jorge Dias de Deus
Auditório Centro de Congressos de Aveiro

Palestra : O LHC e a máquina do Universo


Horizontes da Física 3 - Palestra 1 - 04/03/2009

Orador: Prof. Doutor Rui Jorge Agostinho
Auditório Centro de Congressos de Aveiro

Palestra : As Condições de Vida no Universo